quarta-feira, 20 de março de 2013

BANALIZANDO


Meu caderno de desenho
Em empenho esta guardado
Fico triste sem ele
Sem ele fico acordado

Meu caderno de poema tem
O tema que mais vender
Está sendo vendido
Pra alguém
Mais ele não quer se vender

Minha roupa de balé
Deixou de ser de menina e fora vendida para
Uma mulher

Minha pintura de palhaço
A trapezista e seu laço
Tudo foi vendido
Virei mendigo sem coisas importantes
Sem saber hora, momento, instante.

Minhas esculturas de madeira são vendidas
A beira da estrada
Do que eu era não sobrou mais nada
Vendi minha arte
Em contraste ao amor
Vivo sem ela
Namorando a dor

 

segunda-feira, 18 de março de 2013

LAGRIMA

Lagrima é transparente
Porque enquanto corpo chora alma sente

Paro sempre no mesmo canto
Fico sem encanto sempre sabendo pra onde vou
Meus hábitos viraram rotina
O abrir e fechar da cortina são tão iguais
Mudo de esquina no inicio
 Mais com o passar do tempo até isso vira vício
E cada vez que eu tento de um escapar
Vem outro e toma o seu lugar

Chamamos mesmice de segurança
Esperamos herança
O medo de arriscar
Acaba em  um calabouço  nos jogar
O tédio nos mata de dentro para fora
E embora algumas pessoas
Não percebam
Que enredam suas vidas
Sem mais nada que a divida
Acabam por si desfazer

ENCONTROS E DESENCONTROS

A volta dos que nem foram
E os que foram iram voltar
Sua tese, sua testa, sua cabeça em seu lugar
A busca o desencontro
A bússola e o ponto
O procurar e se esconder
Às vezes encontrar-se é se perder
O dedicar-se é não querer
A pausa e o adiantar-se
A palavra e a frase
Se estiver intercalado é crase

A partida partindo o coração
Todo o dia vem e volta uma grande multidão
Os insetos e as setas
Coisas erradas e certas
O movimento transversal
 O espaço que sobra entre o bem e o mal
É o mesmo espaço entre a ida e a volta
É o peso que levamos em nossas costas

VIVA A MODA


                                 No final de semana vamos fingir que estamos vivos
Passamos a vida esperando
Pelos feriados e domingos
Solenizamos jogos de futebol carnaval
E depois disso vemos filas em cada hospital

O descaso pela saúde
Festinhas nos iludem
Nas estradas vidas viram números
Um dois três
E tudo recomeça outra vez
Fingimos não importar
Seus filhos nem ao menos tem direito de estudar
Vivemos o regime do silencio
A moda do momento
Todos queremos ser isento
E como motores impulsionamos esses acontecimentos