domingo, 28 de abril de 2013

MUNDO PARALELO



Vou tomar meu café
Com muita açúcar 
e pouca verdade verdade
Mesmo sabendo que o único jeito de mudar
É conhecendo a realidade.

Vou num terapeuta as sete
Pra fingir que minha frustração
Não tem nada haver com coração
É só um surto após um susto

Amanha vou esquecer tudo que me ensinaram
E sem estar ou ser, vou morrendo, vou morrer
Pois já perdi minha determinação
Sem sentir, sem saber, sem cérebro ou coração

Daqui a alguns anos
Vou pedir ao meu filho pra comprar cigarro
Dar a chave de um quase decomposto carro
Para um menor dirigir

Vou passar o dia fantasiando demônios
Quando não conseguir vencer
Minha incapacidade não pode ser minha culpa
Passo ela  para você

Vou tornar-me comodista
Sendo assim mais um cego na pista
Marchando para o morticínio
Isso que significa ser normal?
Se for não vejo nem um mal em ser louco

quarta-feira, 20 de março de 2013

BANALIZANDO


Meu caderno de desenho
Em empenho esta guardado
Fico triste sem ele
Sem ele fico acordado

Meu caderno de poema tem
O tema que mais vender
Está sendo vendido
Pra alguém
Mais ele não quer se vender

Minha roupa de balé
Deixou de ser de menina e fora vendida para
Uma mulher

Minha pintura de palhaço
A trapezista e seu laço
Tudo foi vendido
Virei mendigo sem coisas importantes
Sem saber hora, momento, instante.

Minhas esculturas de madeira são vendidas
A beira da estrada
Do que eu era não sobrou mais nada
Vendi minha arte
Em contraste ao amor
Vivo sem ela
Namorando a dor

 

segunda-feira, 18 de março de 2013

LAGRIMA

Lagrima é transparente
Porque enquanto corpo chora alma sente

Paro sempre no mesmo canto
Fico sem encanto sempre sabendo pra onde vou
Meus hábitos viraram rotina
O abrir e fechar da cortina são tão iguais
Mudo de esquina no inicio
 Mais com o passar do tempo até isso vira vício
E cada vez que eu tento de um escapar
Vem outro e toma o seu lugar

Chamamos mesmice de segurança
Esperamos herança
O medo de arriscar
Acaba em  um calabouço  nos jogar
O tédio nos mata de dentro para fora
E embora algumas pessoas
Não percebam
Que enredam suas vidas
Sem mais nada que a divida
Acabam por si desfazer