quinta-feira, 30 de maio de 2013

Passagem

Passagem

Será que ainda sol?
Metade do que já fui
Envelhecendo sem o que era vem à morte e me seduz

Se a algo de verdade
É que só as crianças si permitem chorar
Mais sem meu choro o que sol?
Nem parte, nem porta nem pedra.
Sou pena levada pelo ar
Sou o Mar Morto, ou quem sabe o morto mar.

Sou o que restou da refeição
Sou migalhas de pão beira mar
Sou o que não deveria
Sou água sem molhar

E antes o que era será que poderei regressar
A minha doce terra
Minha infância, meu caminhar.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

UM IDEAL



UM IDEAL
O CARA QUE FALAVA DE IGUALDADE
QUERIA NA VERDADE, DESTRUIR O CONTRASTE.
SABE AQUELE QUI
RESOLVEU DIZER A TODOS PARA ONDE IR?

O SISTEMA “ZÉ CHINELÃO”
TENTANDO CALAR A MULTIDÃO
PREGAVA PATRIOTISMO
EM NOS HUMANOS MORA UM MONSTRO CHAMADO CINISMO

OS “ZS” CRUZADOS FIZERAM BASTANTE ESTRAGO
OS ASSASSINOS QUE PREGAVAM AMOR A BANDEIRA
FIZERAM DE SONHO, EMOÇÕES E EXPERIÊNCIAS.
BESTEIRA, CORPOS QUE FORAM JOGADOS EM TRINCHEIRAS.


AS BRIGUINHAS BURGUÊS FEZ COM QUE
POR MAIS DE UMA VEZ
BOLCHEVIQUES PAGAREM.
UM CREDIÁRIO QUE NEM FOI ABERTO
LUTANDO ATÉ A MORTE SEM VOZ DE PROTESTO


SE O CAPITALISMO CRIA PREDADORES
O SOCIALISMO CRIARIA VAGABUNDOS.
É DIFÍCIL MÁS ACREDITO NO MUNDO
ACREDITO NUMA SOCIEDADE PRIMITIVA
ONDE TODOS TENHAM PONTOS DE PARTIDA IGUAIS NA CORRIDA
ONDE TODAS SEJAM VISTOS DA MESMA MANEIRA
SEM ESSAS FRONTEIRAS QUE O SISTEMA CRIOU

CONTRADIÇÃO

Pássaro nadando, peixe voando.
É assim que me sinto
Falo e não me escuto
Grito e em oculto, aguardo reposta.
Que nunca vem
Sim ou não?
Fiz mal ou bem?

Os valores que me ensinaram
Só os “otários” costumam seguir
Nostalgia do que passou
Tristeza pelo que passa
E medo do que estar por vim

Sentimentos comprimidos
Afazeres distorcidos
E me apontam como anormal
Pelo menos meu mal está restrito a mim


domingo, 28 de abril de 2013

MUNDO PARALELO



Vou tomar meu café
Com muita açúcar 
e pouca verdade verdade
Mesmo sabendo que o único jeito de mudar
É conhecendo a realidade.

Vou num terapeuta as sete
Pra fingir que minha frustração
Não tem nada haver com coração
É só um surto após um susto

Amanha vou esquecer tudo que me ensinaram
E sem estar ou ser, vou morrendo, vou morrer
Pois já perdi minha determinação
Sem sentir, sem saber, sem cérebro ou coração

Daqui a alguns anos
Vou pedir ao meu filho pra comprar cigarro
Dar a chave de um quase decomposto carro
Para um menor dirigir

Vou passar o dia fantasiando demônios
Quando não conseguir vencer
Minha incapacidade não pode ser minha culpa
Passo ela  para você

Vou tornar-me comodista
Sendo assim mais um cego na pista
Marchando para o morticínio
Isso que significa ser normal?
Se for não vejo nem um mal em ser louco

quarta-feira, 20 de março de 2013

BANALIZANDO


Meu caderno de desenho
Em empenho esta guardado
Fico triste sem ele
Sem ele fico acordado

Meu caderno de poema tem
O tema que mais vender
Está sendo vendido
Pra alguém
Mais ele não quer se vender

Minha roupa de balé
Deixou de ser de menina e fora vendida para
Uma mulher

Minha pintura de palhaço
A trapezista e seu laço
Tudo foi vendido
Virei mendigo sem coisas importantes
Sem saber hora, momento, instante.

Minhas esculturas de madeira são vendidas
A beira da estrada
Do que eu era não sobrou mais nada
Vendi minha arte
Em contraste ao amor
Vivo sem ela
Namorando a dor