Passagem
Será que ainda sol?
Metade do que já fui
Envelhecendo sem o que
era vem à morte e me seduz
Se a algo de verdade
É que só as crianças
si permitem chorar
Mais sem meu choro o
que sol?
Nem parte, nem porta
nem pedra.
Sou pena levada pelo
ar
Sou o Mar Morto, ou
quem sabe o morto mar.
Sou o que
restou da refeição
Sou migalhas de pão
beira mar
Sou o que não deveria
Sou água sem molhar
E antes o que era
será que poderei regressar
A minha doce terra
Minha infância, meu caminhar.